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Histórias sobre Satanás tem de sobra. Cada vez mais atuais e
modernas.
Uma delas conta que um belo dia o chefe dos capetas
organizou uma grande exposição. Seriam apresentadas ao
público as armas mais sofisticadas e os instrumentos mais
avançados na tecnologia, para tentar os seres humanos. A
feira foi um sucesso. Tinha mercadoria e comprador para tudo
e para todos os gostos. Cada produto vinha com uma breve
explicação da finalidade, do uso, e, obviamente, o preço. No
meio do salão, porém, chamava a atenção dos visitadores,
uma vitrine na qual estava uma pequena chave dourada, sobre
uma almofada de veludo vermelho. Era a arma secreta de
Satanás. E estava escrito: “Não está à venda”. Um dos
clientes mostrou muito interesse a respeito dela e conseguiu
encontrar o chefão para tentar convencê-lo a vender a dita
arma secreta. O cliente agitava o seu cartão de crédito
oferecendo somas fantásticas e cada vez maiores por aquele
produto. Sobretudo insistia para saber por que uma chave tão
simples, pequena, era tão poderosa e não se podia comprar.
Satanás ficou na dele. Começou a explicar que aquela chave
lhe permitia entrar no coração de qualquer ser humano, do
maior ao menor, até de padre, freira, bispo, etc. Abria
mesmo qualquer coração, por isso era tão valiosa. O cliente
não desistia e queria saber o nome daquela bendita – ou
maldita – chave que abria o coração de todos. O que era
afinal? Satanás resistiu mais um pouco, por fim, repetindo
que de qualquer maneira ela não seria vendida, disse, a meia
voz, ao cliente: “Esta chave, que abre qualquer coração
humano, chama-se desânimo!”
Isso mesmo. Atrás do desânimo vem todo o resto: cansaço,
desistência, acomodação, omissão. E, olha lá, se para
defender a nossa decisão de cair fora não começamos a falar
mal daquilo que, um pouco antes, parecia tão empolgante para
nós.
Até os apóstolos, em certo momento, desanimaram. O próprio
Pedro, quando ouviu Jesus falar da cruz, quis voltar atrás.
Bem sabemos que, na hora do sucesso, quem não quer ficar do
lado do vencedor e do poderoso? Mas na hora do fracasso, da
derrota, quem agüenta?
Não podemos dizer que Jesus enganou, ou engana, os seus
amigos. Falou claro e muitas vezes sobre a cruz que eles
também deviam carregar. Quis prepará-los para a provação
mais difícil. Contudo, em determinada hora, a maioria deles
ficou só olhando de longe a morte de Jesus e ainda viveram,
por um bom tempo, trancados em casa com medo dos Judeus.
O desânimo pega a todos, quando as coisas não andam como
gostaríamos, quando somos criticados, quando nos parece que
a provação está acima das nossas forças. A cruz pode ser
tudo isso. Podem ser os sofrimentos e as provações da vida,
e também os fracassos dos nossos sonhos e a derrocada das
nossas ambições. Nesses momentos, muitos vão atrás de
recuperar a própria auto-estima. Procuram olhar-se de dentro
e de fora para voltar a ter confiança neles mesmos e dar a
volta por cima.
Para carregar a nossa cruz, porém, é necessário fazer um
caminho bem diferente. Precisamos saber o porquê das
dificuldades. De maneira especial quando a causa pela qual
lutamos e trabalhamos é grande e justa. Se estamos sendo
perseguidos, ou sofremos, pelos nossos erros, precisamos
corrigi-los. De certa forma, a culpa é nossa. Se mudarmos,
as coisas melhoram.
No entanto se os nossos sofrimentos são a conseqüência da
defesa de uma causa que está incomodando os grandes e os
poderosos, aqueles que não aceitam críticas, ou aqueles que
querem comprar até a consciência das pessoas, nesses casos
não podemos desanimar. Aliás devíamos prever tudo isso.
Porque a perseguição e a cruz são o efeito lógico do nosso
compromisso com a verdade, a justiça e o bem de todos.
Dificilmente vão ser perseguidos os que não incomodam.
Carregar a nossa cruz é, portanto, não somente aceitar as
provações de toda existência humana, que antes ou depois, de
uma forma ou de outra, encontraremos ao longo dos anos, mas
sobretudo é saber que a luta entre o bem e o mal está
somente no começo e vai ser uma disputa difícil.
Sinais de não agrado, críticas e perseguições, podem nos
fazer sofrer, no entanto podem ser a prova de que a causa é
justa, que não podemos desistir, nem por medo e nem por
covardia.
Ao demônio, que nos tenta com o desânimo, respondemos com as
palavras de Jesus: “Que adianta ao homem ganhar o mundo
inteiro, mas perder a sua vida?”. Nós também temos a nossa
arma secreta..
Dom Pedro José
Conti
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