Histórico de Dom Angélico

Angélico Sândalo Bernardino, filho de Duílio Bernardino, operário do campo e da cidade, e de Catarina Sândalo, dona de casa, nasceu a 19 de Janeiro de 1933, em Saltinho, interior do Estado de São Paulo. Nessa família de oito irmãos, aprendeu desde cedo a importância e a força da vida comunitária, causa que consagraria sua vida. No dia 19 de março do ano de seu nascimento, na Capela do Sacgrado Coração de Jesus, de sua terra natal, era batizado. Na infância, em Piracicaba, houve alguns  acontecimen-tos interessantes. Em um deles, inclusive já registrado em livro, bem a gosto do nosso grande Monteiro Lobato, conta  seu encontro com o Saci Pererê. quando era pequeno, por volta de dois anos, ele brincava deb aixo de uma mangueira com suas duas irmãs e mais uma prima. As meninas resolveram subir na árvore e, quando se deram conta, Angélico tinha sumido. A Vila de Saltinho ficou em polvorosa, por que seus pais ficaram muito aflitos.  Então, saíram todos em busca do menino. Passaram-se horas e horas, até que foram encontrá-lo num emaranhado dentro de um espinheiro. Conta-se que, quem levou Angélico até esse espinheiro foi o Saci. esssa estória percorre a sua vida, mas assegura que foi um anjo que o levou até esse local...    

            Seus estudos de primeiro e segundo graus, foram realizados nas cidades de Saltinho e São Carlos(SP). Mas o "anjo" levou-o a voar mais longe: de Piracicaba para o Seminário de Ribeirão Preto, onde estudou Filosofia; de lá para Viamão, no Rio Grande do Sul, onde estudou Teologia. Foi ordenado sacerdote, em 12 de Julho de 1959, sendo nomeado cura da Catedral de Ribeirão Preto, optando depois pela periferia da Cidade, indo trabalhar junto aos pobres de Vila Carvalho. Jornalista por profissão, foi diretor do Jornal "Diário de Notícias"da mesma cidade, onde Pe. Angélico aliou o ministério sacerdotal ao jornalismo na defesa da democracia, da justiça e da liberdade de expressão. É até previsível o que lhe proporcionaria isso em tempos de ditadura militar: custou-lhe  responder o primeiro processo criminal. No entanto, foi a voz dos que não tinham vez; ajudou muitas famílias, dando moradia e condições para viverem com um pouco mais de dignidade e serem respeitadas como gente.  Num momento difícil da vida e dos Pais, que foi a ditadura militar, ele enfrentou a repressão com coragem e audácia.    

            Sob os bons ventos do Concílio Vaticano II, Pe. Angélico destacou-se como coordenador de pastgoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Foi também diretor espiritual do Seminário Arquidiocesano de Brodosqui, assistente eclesiástico do Movimento Familiar Cristão e das Equipes de Nossa Senhora e dos Cursílhos de Cristandade. Pelos seus méritos, amor à Igreja, aos pequenos e injustiçados, Pe. Angélico foi nomeado Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, para a Zona Leste da Cidade, eleito a 12 de dezembro de 1974, para a igreja Titular de També. Recebeu a ordenação episcopal em 25 de Janeiro do ano seguinte, por Dom Paulo Evaristo Arns, Cardeal de São Paulo. De Patric José Clark alimentou seu ministério episcopal com os seguintes versos: "Colocar o amor antes do poder, para depois juntar o amor com o poder, a fim de destruir o poder sem amor".

            Inicia-se um novo período da sua vida e minstério, tempo marcado pela inspiração de Dom Paulo, de esperança em esperança. Uma nova experiência de governo episcopal de Igreja para a metrópole, governo colegiado, conforme sugeria o Concílio Vaticano II. Foi designado responsável para  acompanhar a Pastoral Operária no Estado de São Paulo. De 1975 a 1989 esteveve servindo a região Episcopal Belém e na de São Miguel Paulista. A partir daí, esteve na Região Brasilândia.

            Em 1975, recebeu o título honorífico de "Piracicabanus Praeclarus"; em 1991, de Cidadão Paulistano e, no mesmo ano  de cidadão Ribeirão-Pretano". Sua fé  e seu trabalho sempre proporcionaram uma grande lição de fé e de cidadania.

            Durante os anos em São Paulo, foi ainda apresentador de programa diário na Rádio Ribeirão Preto; membro do Sindicato dos Jornalistas  Profissionais do Estado de São Paulo; integrante da equipe de coordenadores do Regional Sul I da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; diretor do Semanário "O São Paulo" da Arquidiocese e do folheto litúrgico "O Povo de Deus em São Paulo", apresentador de programas diários nas rádios "América" e "9 de Julho". Foi Presidente do Regional Sul I da CNBB e responsável pela Cáritas Diocesana.

             Participou como delegado da IV Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Santo Domingo (República Dominicana) e do Sínodo da América, realizado em Roma. É  ainda membro da Comissão Episcopal de Pastoral (CEP) da CNBB - Setor Vocações e Ministérios (Vocações e Ministérios (Vocações, Seminários, Diáconos Permanentes, Presbíteros, Bispos Eméritos e Colégio Pio Brasileiro). Talvez nenhum dos Bispos do Brasil conheça melhor os padres brasileiros, seus sonhos, suas dificuldades, seus valores, como ele, fator responsável por ter sido eleito, já pelo segundo mandato, responsável pelo Setor Vocações e Ministérios. 

 

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