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Brasília, quinta-feira, 15 de maio de 2008 (ALC) - Numa iniciativa
inédita na história do Brasil, pela primeira vez igrejas serão
parceiras do Ministério da Educação (MEC) na mobilização de
famílias, incentivando-as a acompanharem o processo formativo de
seus filhos e filhas. Uma das metas do programa é a distribuição de
50 milhões de cartilhas.
“A mobilização social é um dos
pilares do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) e as igrejas
têm papel forte e são referência nas comunidades em que atuam”,
justificou a assessora especial do MEC, Oroslinda Goulart.
A cartilha explica como as famílias podem ajudar seus filhos e
filhas no processo educativo, e incentiva-as a acompanhar o
desempenho das crianças na escola e a participar dos conselhos
escolares.
No lançamento do Plano de Mobilização das Igrejas Cristãs pela
Educação, na quinta-feira, 8, o ministro de Estado da pasta,
Fernando Haddad, disse que o desafio proposto é o de garantir
qualidade com eqüidade “e alçar à parte desassistida a condição de
protagonista da mudança”.
O MEC chamou para a elaboração do Plano de Mobilização o Conselho
Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), o Conselho
Latino-Americano de Igrejas (Clai), a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil (CNBB), o movimento Todos pela Educação e a
Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (Unesco).
Desde o ano passado, um grupo de trabalho envolveu-se na elaboração
da cartilha e nas linhas de atuação das igrejas a partir das 28
diretrizes do projeto do MEC. A cartilha foi ilustrada pelo
cartunista Ziraldo, criador de personagens como o Saci Pererê e
histórias voltadas ao público infantil, entre elas “O menino
maluqinho”.
Nas ações interativas, o plano prevê o envolvimento das igrejas em
atividades lúdicas, informações em cultos e missas, almoços
comunitários, conversas informais, cursos, palestras e seminários,
eventos culturais tratando do tema educação. Um curso preparará
líderes comunitários para o desenvolvimento do programa, que também
prevê a formação de multiplicadores.
O programa quer assegurar a alfabetização de crianças até no máximo
oito anos de idade, combater a repetência e a evasão escolar,
valorizar a formação ética, artística e de atividades físicas,
desenvolver propostas de alfabetização de jovens e adultos, garantir
o acesso e a permanência de crianças portadoras de deficiência na
escola.
Em reunião com bispos católicos na terça-feira, 6, Haddad disse que
a melhoria da educação brasileira é a chave para o sucesso do país.
Ele mencionou ações que o MEC vem desenvolvendo junto às escolas,
como avaliações periódicas do ensino, aumento de recursos,
publicização dos indicadores educacionais.
“Tudo isso é muito importante, mas se não tivermos a mobilização da
sociedade e das famílias, não cumpriremos os prazos estabelecidos
para atingir nossos objetivos”, afirmou, referindo-se à meta de
elevar o índice de desenvolvimento da educação básica (Ideb)
brasileiro à nota 6 até 2022, nas primeiras séries do ensino
fundamental. Hoje, a média é 3,8.
O ministro se valeu dos exemplos de alguns países que também
transformaram a educação em política de Estado, e não de governo,
como a Coréia do Sul e a Irlanda. “Muitos imaginam que a revolução
educacional sul-coreana foi uma decisão de governo, mas na verdade
foi encaminhada pela sociedade”, lembrou.
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