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FÉ E POLÍTICA: MOVIMENTO QUE
FAZIA FALTA E... POSSÍVEL !

Nasce o
MOVIMENTO FÉ E POLÍTICA em nossa Diocese. Com
base na experiência do CENTRO NACIONAL FÉ E
POLÍTICA DOM HÉLDER CAMARA, que é uma iniciativa
da CNBB – CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO
BRASIL. Dois encontros de apresentação do
MOVIMENTO foram realizados, o primeiro no dia
20 de maio e o segundo no dia 18 de junho, nas
dependências do Centro Catequético de nossa
Catedral.
Agradável
presença de representantes das paróquias,
movimentos, pastorais, partidos políticos, poder
executivo municipal, poder legislativo, bem como
a maravilhosa presença de representantes de
grupos de jovens.
Neste primeiro
momento de caminhada, um grande questionamento
inquietava a comunidade: É possível misturar fé
e política? Penso que a formulação mais correta
seria: É possível separar fé e política?
Não existe nada mais contrário à religião do
que, diante de problemas sociais de nosso
cotidiano, ficarmos inertes, imóveis, sem ação.
Como poderemos resolver problemas como a
violência, as drogas, desemprego, educação?
Problemas que atingem a nossa juventude, nossos
filhos. Diria alguém que se diz católico,
cristão: “Meu filho não usa drogas, tem um
bom emprego, não me preocupa!” Devemos
louvar e agradecer por estes pais e filhos
privilegiados! E os outros? E a grande maioria?
Será que não é problema meu, seu? Belo exemplo
de fé! Insisto: é possível separar fé e
política? “Quem
diz que Religião não tem nada a ver com Política
entende pouco de Política e menos ainda de
Religião” – dizia Mahatma Gandhi.

O movimento é fundamentalmente de
caráter educativo, segundo a dialética “observação-reflexão-ação”.
Precisamos despertar uma consciência nova de
cidadania e desmistificar a idéia de relacionar
a política com situações negativas. Bem sabemos,
caro leitor, que uma grande maioria de políticos
ficou desligado de valores éticos, razão pela
qual, o movimento pretende colaborar na formação
de cristãos leigos/leigas, para as funções
públicas, eletivas ou não, no campo da política
e das organizações, bem como para um melhor
discernimento no momento do voto.
Somos convidados,
convidadas a participar de movimentos populares,
associação de moradores, conselho municipal de
saúde, da educação, da criança e do adolescente,
entre outros. Podemos e devemos assumir o papel
de controladores do poder, especialmente porque
o que vemos é o poder a serviço de poucos.
Quando se quer articular a fé e o agir político,
torna-se, pois imprescindível, manter o duplo
olhar. De um lado o olhar teológico sobre as
Escrituras e a Tradição, nas quais e através das
quais, é-nos transmitida a Palavra do Deus Vivo.
De outro, o olhar das ciências sociais e humanas
que nos permitem compreender de forma mais
aprofundada o mundo. Uma adequada formação
cristã para o agir político deve, portanto, não
só contemplar o olhar sobre as Escrituras e a
Tradição, mas também os estudos sociológicos,
históricos, filosóficos e das ciências políticas
e jurídicas que permitam uma abordagem mais
profunda da realidade onde se atua.
Vamos estimular as
ações e condutas éticas em todos os níveis do
serviço público e político, combatendo a
corrupção e a manipulação inescrupulosa do
dinheiro público. Contra a corrupção eleitoral,
façamos valer a Lei 9.840 que diz ser proibido a
qualquer candidato “doar,
oferecer, prometer ou entregar, ao eleitor, com
o fim de obter-lhe o voto, bem ou vantagem
pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego
ou função pública”.
A propósito da lei 9.840, bem
sabemos que se trata de uma Lei que nasceu da
iniciativa popular, e estamos juntos, no
projeto, também de iniciativa popular que
pretende tornar inelegíveis candidatos com
condenação em primeira instância, bem como
aqueles que tiverem denúncia recebida por um
tribunal ou renunciaram a seus mandatos para
escapar de punições.
No mês de julho,
iniciaremos as formações nas 35 paróquias da
Diocese de Blumenau, divididas em 13 cidades. O
foco será: REFLEXÕES PARA AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS
QUE SE APROXIMAM, onde serão abordados os
seguintes temas:
MUDAR O MUNDO A
PARTIR DE NOSSA CIDADE;
A PARTICIPAÇÃO DO
CIDADÃO NA GESTÃO PÚBLICA;
OS TRÊS PODERES
DA REPÚBLICA;
VOTO: A FORÇA DA
CIDADANIA;
O DESTINO DO
NOSSO VOTO;
ELEGER PARA QUE?;
CIDADANIA, ÉTICA
E POLÍTICA: DESAFIOS PARA OS CRISTÃOS.
Avalie bem quem merece o seu voto: quem
acompanha e participa das lutas com a
população; quem defende a vida, quem não vota em
projetos que levam à morte; quem vota em
projetos que favorecem o povo: para moradia,
saúde, educação; quem está comprometido com as
causas populares; quem cumpriu o que se propôs a
fazer e presta contas de seu mandato ao povo que
o elegeu; quem entende que não é senhor absoluto
de seus votos, mas que representa aqueles que o
elegeram; quem é coerente com a fé que professa,
demonstrando que sua ação política é parte de
seu compromisso com a vida, a partir de sua fé;
quem assume, pois, os princípios da Doutrina
Social da Igreja.
Vamos criar grupos suprapartidários de
acompanhamento e de fiscalização nas câmaras
municipais, cobrando compromissos de campanha,
acompanhando o desenvolvimento da proposta do
candidato/a, estando junto com o eleito/a,
contribuindo com sugestões e propostas;
participando das sessões da câmara e das
audiências públicas.
Pretendemos favorecer a participação e diálogo
entre pessoas que tenham ideologias políticas
diferentes.
“
BEM AVENTURADOS OS JOVENS PORQUE
SONHAM E CORREM O RISCO DE VEREM SEUS SONHOS
REALIZADOS”
– Dom Helder Câmara.
“ POLÍTICA SEM
TEOLOGIA É PURO NEGÓCIO” – Leonardo Boff.
Luiz
Eduvirges de Souza Neto - Coordenador do
Movimento Fé e Política |